Renan e Paulo Meus Eternos Amores...
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Eu não queria acreditar e olhava para o meu marido na esperança que ele me dissesse que não era verdade, eu queria meu filho comigo, bem, como o médico me dizia sempre que ele estava, eu não sabia se chorava, se gritava, não podia me mexer, pois ainda estava anestesiada e o meu anjinho tinha morrido. A enfermeira chegou chorando também e me dizendo que tinham feito tudo que era possível, mas que não tinham conseguido mantê-lo vivo e perguntou o que a gente queria fazer, meu marido me olhou e disse que não sabia e eu pedi que chamasse minha mãe para ajuda-lo. Ele me perguntou se queria vê-lo e eu disse que sim, alguns minutos depois minha mãe entrava no quarto com meu filho nos braços, já sem vida, colocou do meu lado, mas eu mal conseguia vê-lo de tanto que chorava, abraçada a ele perguntava porque Deus o tinha tirado de mim, queria fazer alguma coisa para que ele voltasse, mas já não tinha nada a ser feito, ele já estava ficando roxinho, mas a imagem daquela carinha linda de lábios carnudos como o meu, não saiu nunca mais da minha cabeça. Ele ficou comigo por muito pouco tempo pois em seguida já o levaram do quarto e eu nunca mais o vi. Em virtude da cirurgia, não pude acompanhar o velório.

No dia seguinte voltei para casa e não reconhecia aquela casa como minha. Todas as coisas do meu filho foram tiradas antes que eu chegasse, me sentia perdida ali, e multilada pela perda do meu anjinho.  Foram (e continuam) sendo dias muito difíceis, passava dias e noite chorando sem poder me mexer por causa da cirurgia, meu marido, meus pais, meus irmãos cuidavam de mim, mas eu me sentia sozinha, sem o meu filho que eu esperei tanto, fui atendida por uma psicóloga que tentava me fazer ver que ele estava melhor assim, que se tivesse sobrevivido sofreria muito, mas meu lado egoísta de mãe não consegue ver isso, eu queria o meu filho comigo.

Com 26 dias fui ao cemitério e lá tive a 2ª pior experiência da minha vida, saber que o corpinho do meu filho estava naquele lugar horrível e eu nunca mais poderia vê-lo foi horrível, me abracei aquele túmulo querendo arrancar meu filho de lá, chorei muito, não queria mais sair de lá, mas não adiantava ele não iria voltar para mim, tive que ir embora chorando muito e sentindo muita dor. Ainda hoje quando a dor é muita vou até lá, converso com ele, mas encarar o fato que o meu Renan não volta nunca mais é muito duro, e agora que já se passaram quase 10  meses olho para as pessoas, mesmo parentes próximos e vejo como já retomaram as suas vidas como se nada tivesse acontecido, mas para mim dói como naquele dia terrível e não sei se algum dia vai passar, já não choro todos dias mas tenho constantes crises de uma tristeza profunda que dá vontade de sumir do mundo. Hoje ainda convivo com o medo de não poder ser mãe novamente já que médico não soube dizer que doença ele teve, disse apenas que foi uma síndrome raríssima que acontece 1 em 1 milhão e eu fui a escolhida.

Mudei de médico e ele pediu um exame chamado cariótipo, fizemos, e o resultado não constou nenhuma alteração cromossômica, em todos os outros exames que fiz, nenhum constou nada que pudesse explicar o que aconteceu, mas para piorar, fiz uma ultra endovaginal e descobri que meu útero tem um volume muito maior do que deveria, o médico não soube precisar porque, mas acredita na hipótese de uma endometriose ou adenomiose, em ambos os casos eu teria dificuldades para engravidar e manter uma gravidez, mas o diagnóstico preciso só seria possível através de uma vídeolaparoscopia, mas é uma cirurgia muito invasiva, e como engravidei uma vez ele acha que é possível tentar novamente, mas me disse se eu fosse mais velha e já tivesse filhos, recomendaria a retirada do útero. Quando me disse isso, perdi o chão, depois de perder um filho, perder também a possibilidade de ter outro e muito forte.

Resolvi procurar uma segunda opinião e meu novo médico confirmou a alteração no meu útero, mas se dispôs a me ajudar. Quero confiar nele, acreditar que vai dar tudo certo, mas o medo é muito grande e depois de tudo fica difícil acreditar em médicos de novo, mas não me resta outra opção, então tenho que tentar. Embora nada no mundo vá mudar o que já aconteceu e apagar essa dor da saudade que sinto do meu filho, acho que por ele e por mim tenho que tentar, e segundo os médicos o quanto antes, rezando para que dê tempo.

Mas essa história não acaba aqui... porque ao contrário do que muitos dizem que o tempo apaga a dor cada dia que passa na minha vida ela se torna mais presente, porém aos poucos assume um outro aspecto o de SAUDADE uma triste mas linda saudade, desse serzinho tão especial que em sua breve estada na terra mudou minha vida para sempre e estará comigo enquanto eu viver, por isso a nossa história de amor continua...



Escrito por Adri Terres às 14h40
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Enfim o dia chegou, acordei cedo, tomei banho, me arrumei toda para esperar a chegada do meu principezinho e fomos para maternidade, chegamos lá as 08:30 hs da manhã, conforme estava marcado, depois de fazer a ficha na recepção fui levada para o quarto e internada para aguardar a hora da cirurgia, meu marido ficou conversando comigo para me deixar mais tranqüila e enquanto esperávamos, fazíamos planos para os próximos dias, pois na quinta-feira ele teria uma convenção de trabalho em uma outra cidade e eu teria que ficar sozinha até no domingo. Para descontrair ele começou mandar mensagens do celular para os amigos e parentes avisando que já estávamos na maternidade e em breve mandaríamos notícias. As 09:30 hs a enfermeira veio me buscar e me levou para a sala de cirurgia, meu marido estava o tempo todo comigo, o anestesista fez a anestesia e em poucos minutos começava a cirurgia. A sala era um completo silêncio, só percebi que o nenê estava nascendo porque ouvi o médico perguntar ao meu marido se ele queria ver o nascimento, mas fique apreensiva porque não ouvia o choro do meu filho e perguntei ao meu marido porque não escutava ele chorar, ele me disse que já tinham tirado ele da sala e que estava na sala ao lado com o pediatra, achei estranho, mas como era minha primeira vez não sabia ao certo qual era o procedimento e fiquei esperando, ainda tonta, que me trouxessem o meu filho para que eu o visse, mas nada, o silêncio continuava, quebrado apenas pelo meu marido que me dizia que ele era cabeludinho e que tinha o cabelinho preto como o dele, era só o que ele conseguia ver. Dali a pouco, estavam me colocando na maca e me levando para o quarto e eu não entendia porque não tinham me mostrado meu filho. Quando cheguei ao quarto perguntei a enfermeira se ia demorar para vê-lo e ela disse que não, que estavam terminando de arruma-lo e que em breve o trariam. Percebi que chamaram meu marido, que estava no banheiro, para ir falar com o médico e fiquei preocupada, mas nesse meio tempo uma amiga que estava no hospital veio falar comigo e me distrai um pouco até que olhei para a porta e vi o médico entrando com uma cara muito séria, acompanhado do meu marido que vinha chorando e percebi que algo havia dado errado, o médico pediu que minha amiga saísse e sentando do meu lado me deu a notícia de que meu filho havia nascido com problemas no coração, nos rins e no pulmão, além de um encurtamento no braço esquerdo e a falta de um dedinho e que em função desses problemas não tinha sobrevivido...

 

Continua...



Escrito por Adri Terres às 14h31
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Minha gravides corria bem, não tinha nenhum sintoma anormal, além dos enjôos e azias. A não ser por uma insônia que me fazia passar noites inteiras acordada, mas achei que fosse só ansiedade. Na consulta do 6º mês o médico me deu um remedinho para que eu dormisse e assim descansasse mais. Na consulta do sétimo mês fiquei um pouco receosa, pois o médico disse que teria que fazer cesária, pois minha placenta estava baixa e isso inviabilizaria um parto normal, respondi  que não teria problemas em fazer cesária, mas quis saber se o nenê estava bem e ele disse que sim. Os dois meses seguinte foram os mais demorados, acho que pela ansiedade em ver logo meu Renan, mas afinal minha cesária foi marcada para o dia 26/10/04, uma terça feira. Trabalhei até na sexta anterior só fiquei em casa na segunda-feira porque queria organizar os detalhes finais. Já estava tudo pronto, as roupinha lavadas e devidamente guardadas, o berço pronto, as coisinha todas organizadas. Na noite anterior a minha ida para maternidade escrevi todas as lembrancinhas que era só o que faltava.

 

Continua....



Escrito por Adri Terres às 14h29
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Para aqueles que ainda não conhecem a nossa história de amor vou relatá-la abaixo, é um pouco longa por isso teremos que contálas por parte, mas vamos lá:

 

Meu nome é Adriana, tenho 28 anos e sou casada a 04 anos, em março de 2004, descobri que estava grávida de 01 mês e fiquei muito, mas muito feliz com a notícia, embora um pouco confusa, pois era algo tão sonhado que eu nem acreditava que estivesse acontecendo. Lembro que saí do consultório como se estivesse pisando em nuvens, não sabia se ria ou chorava, de tanta alegria. Quando contei para o meu marido ele também não acreditou, mas ficou muito feliz.

A partir daí minha vida se transformou, mudei minha alimentação, parei com a ginástica, pois não me sentia bem quando fazia muito esforço e não queria correr riscos. Parei com todo o tipo de remédio, mesmo o da minha alergia que me deixava mal, mas resisti, para não colocar em risco a saúde do meu bebê. Continuei trabalhando normalmente, pois me sentia muito bem. Todo mês quando vinha do médico da consulta do mês, tirávamos uma foto da barriga para acompanhar depois a evolução. Fiz todos os exames que o médico pediu e segundo ele estava tudo bem, não faltei a uma consulta, para mim era um ato sagrado e uma alegria imensa poder saber como estava o meu pequeno e vê-lo através do ultrassom.

Com quatro meses descobri que era um menino, como eu sempre quis, desde pequena, quando me imaginava sendo mãe, eu escolhi o nome de Renan e meu marido aprovou, ele queria uma menina, mas se acostumou logo com a idéia de que seria pai de um lindo menino. A família toda estava em festa, pois eu sou a filha mais velha de meus pais e não tem mais criança na família, seria o primeiro netinho, o primeiro sobrinho, e o meu primeiro filho. Meu irmão já fazia planos para passear com ele, para mostrar para seus amigos. Eu curtia muito meu filhote, logo ele começou a mexer e esse passou a ser o meu passatempo preferido, deitar e ficar olhando para minha barriga fazendo ondinhas, onde ele passava o pezinho e a mãozinha. Enfim ele era muito esperado.

continua....



Escrito por Adri Terres às 14h26
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"Alguém disse que uma criança é carregada no útero da mãe por nove meses...

Alguém não sabe que uma crinaça é carregada no coração da mãe eternamente!!!

Alguém disse que leva cerca de seis semanas para voltar ao normal depois que você tem um bebê...

Algém não sabe que uma vez que você é mãe

Normal é história do passado!!!"

(Do blog da amiga Priscila)



Escrito por Adri Terres às 09h32
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